Ameaças e desvios: Polícia Federal revela detalhes de investigação na UFSC

Vão esperar o fim da investigação em liberdade os  sete presos na operação “Ouvidos  Moucos” da Polícia Federal na semana passada. A Polícia investiga desvio de recursos da educação na Universidade Federal do Estado. Detalhes do inquérito mostram como aconteciam as fraudes. São três pontos de investigação. Todos descobertos pela Corregedoria da Universidade e repassados a Policia Federal.  Nos últimos nove anos a UFSC recebeu R$ 80 milhões para manter cursos a distancia. Só que pelo menos R$ 20 milhões teriam sido desviados e até mesmo pessoas sem ligação com a instituição botaram a mão no dinheiro. Segundo a Polícia Federal o reitor Luiz Carlos Cancellier apareceu como um dos beneficiados do esquema. Foi aí que o gabinete da reitoria tentou atrapalhar as investigações internas. O corregedor geral Rodolfo Hickel contou à Polícia que sofreu pressão e ameaça de exoneração,  para repassar informações da investigação ao reitor. Para a corregedoria também causou “estranheza” a relação entre a reitoria e a direção da CAPES, fundação que repassa as verbas em Brasília.

Além disso, professores também eram obrigados a devolver parte dos recursos de pesquisas. Em gravações de vídeo entregues a Polícia, o professor Martin Petroll  é pressionado a devolver metade do recurso público, pelo coordenador do Núcleo  Universidade Aberto do Brasil, Rogério da Silva Nunes e, depois,  pelo responsável pela Lab Gestão, Roberto Moritz da Nova.

Descrição das gravações:

O professor quer explicações sobre um recibo da devolução.

Rofessor Martin Petroll :  – Não, tudo bem, minha pergunta é: é correto?

E coordenador responde:

Rogério da Silva : – Não é feito só no nosso curso, não é feito só no nosso Departamento… Ninguém dá essa declaração aqui, até onde eu sei …

Já para o responsável pela Lab Gestão, o professor quer saber como prestar contas ao Ministério da Educação e é orientado a não avisar da revolução do recurso. Roberto chama de “acordo de cavalheiros”:

Professor Martin Pretroll: – Mas como justificar isso com o MEC?

Roberto da Nova: – Mas … Não tem como justificar, a bolsa veio ara o senhor …entende? Não tem como justificar para o MEC…

E não para por aí, os investigadores avaliam também contratos superfaturados. Em um deles a UFSC pagou R$ 124,6 mil por 99 translados, só que segundo a Polícia o valor pago para a empresa de transportes é 88% maior do que o valor de mercado.  Na quinta-feira a Polícia prendeu preventivamente o reitor Luiz Carlos Cancellier, dois empresários, três professores e um servidor da UFSC. Todos foram liberados no dia seguinte aguardam a conclusão das investigações em liberdade.

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